TEXTO ALEATÓRIO 5.
Um pássaro pousou em minha janela.
Quisera eu ter a paz e a tranquilidade desta pequena ave que pousou em minha janela. Quisera eu ter as suas asas e voar livremente pelo imenso azul celeste, e entre fogosas nuvens brincar alegremente. No entanto, é dolorida a realidade em que percebo não ser tal pássaro, de não ter asas, de nunca ter sonhos, de nunca poder voar. Talvez a imaginação me crie asas, ainda essas, antes mesmo da existência tem sido cortadas pelos homens.
Um pássaro pousou em minha janela.
Quisera eu ser esse pássaro de penas reluzentes, com o bico afinado, cantando suave e harmoniosamente - não sou este pássaro. Sou o poeta da melancolia, desajeitado com as palavras, tropeçando vez ou outra aqui e ali em alguma desavisada rima que passa.
Um pássaro pousou em minha janela.
Outro dia veio em minha janela um pássaro diferente de todos os outros. Esse tinha as asas coloridas, mais longas, com o bico também alongado. Contudo, a sua canção parecia a viva entonação de meus versos tristes. Não consegui determinar que ave era aquela. Sei que ela causou-me grande admiração. Uma vez mais faço-me repetir… Quisera eu ser aquela ave, ou qualquer outra a propósito, conquanto que tenha asas e possa voar.
Um pássaro pousou em minha janela.
Quisera eu poder ser todos os pássaros do mundo, ter a mais bela canção. Quisera eu ser esses pássaros e ganhar todas as nuvens, e voar mais alto possível até quase desmaiar, e ter a liberdade e a solidão entre minhas asas.
Quisera eu…
Ser apenas uma vez na vida, um pássaro.

Comentários
Postar um comentário