TEXTO ALEATÓRIO #8#
O silêncio profundo na manhã de domingo...
O silêncio profundo...
Nada parece importar, enquanto todos se tornam ausentes,
Apenas o frio soprando por debaixo das portas, nas frestas das janelas,
Eu também sou inconstante,
E de repente, me vejo sem lugar...
Talvez seja o abismo corroendo por dentro, o tempo todo,
O Silêncio profundo continua em seu mergulho no oceano de palavras que nunca foram ditas.
O beijo quente que nunca aconteceu,
O perfume suave,
O toque...
A vida tornou-se o palco das mentes fantasiosas,
E a fantasia por sua vez, fez da mente seu palco de teatro.
É domingo.
Silêncio.
Nada podemos dizer, entretanto, no palco da imaginação tudo podemos fazer.
O café está pronto.
Derramo um pouco em minha xícara, o vapor da fumaça subindo.
Bolachas, pães, pizzas do dia anterior, degustar o café, quente, saboroso.
Talvez seja destino, mas afinal, existe mesmo o destino? Seria ele o responsável por criar tudo a seu bel prazer? Às vezes penso que, somos nós os sabotadores do tempo e da vida. Tantas lutas quanto derrotas acumuladas, são nossos montantes de fracasso.
O silêncio profundo na manhã de domingo,
Os pássaros cantam do lado de fora,
A natureza festeja,
Os homens choram,
Somos o que desejamos ser, mas, àquilo que desejamos ser não corresponde com o quê de fato deveríamos nos tornar.
Somos sucessivos erros e tentativas, até que a haja um ponto certo na imensidão das nossas falhas.
Livra-nos ó Deus, livra-nos de nossos eus,
É domingo, finalmente,
É silêncio, momentâneo.
Me sirvo de café pela segunda vez enquanto escrevo, a fumaça bailarina sobe rodopiano, o cheiro gostoso do café invade as narinas. Sentado em uma cadeira, estico as pernas para alcançar a outra, 'é minha posição preferida', sigo na incessante busca de qualquer cousa que alegre o coração, e que também diminua a dor da alma.
É dia de folga,
Portanto, angústia seguida de descanso e consequentemente, angústia após o descanso, uma vez que, 'minha ansiedade', o meu sofrer 'antecipadamente', me faz triste, menor a cada dia.
Não desejo me alongar,
O muito falar causa enfado,
Ainda está silêncio… Ah, que pequeno paraíso terrestre, pena que, daqui a pouco, será maculado com o som de uma cidade que acorda.
Com pressa…
Vamos, andem…
Estou atrasado…
Buzina pra ele, vai…
Sai da frente…
É a cidade despertando, os vizinhos brigando, assim continua o movimento de cada dia. Quisera eu as glórias passadas, meus dias de infância na fazenda, em cima do pé de jambo, o tempo… O tempo não volta mais caríssimos, nunca mais.
Contudo, o meu tempo nunca mais será logo ali na próxima esquina, ou em qualquer outra ,aliás, quem sabe, se dessa vez o destino não me valer, meu silêncio se tornará profundo e eterno.

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